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criatividade e força na obra de Clemência Pizzigatti

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A obra coletiva de Clemência Pizzigatti e seus alunos em greve contra Maluf

Obra mostra cenas épicas da fundação da cidade
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mosaico coletivo durante greve contra Malulf

 

Na parede de um morro cheio de escarpas e densa vegetação em Piracicaba, existe um painel em mosaico que não deixa ninguém passar indiferente. Trata-se de um mural retratando a história da fundação da cidade.

 

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Seria um simples painel com os atrativos próprios de um mosaico de características históricas, mas é muito mais que isso: a história da realização desse mosaico encerra uma história dentro da outra. E vale a pena resgatá-la.

A iniciativa de fazer o painel partiu de uma grande artista da cidade, a professora Clemência Pecorari Pizzigatti, que, em outubro de 1978, durante uma greve dos seus colegas do ensino público paulista, em protesto contra o então governador Paulo Salim Maluf, convocou os estudantes para manterem-se unidos e ativos, mediante a realização coletiva do painel.

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Logo, a iniciativa contou com o apoio e participação de todos os alunos das escolas estaduais de Piracicaba que cataram todos os tipos de pedras existentes na cidade para compor a obra. O impacto desse movimento foi tão forte na vida dos alunos que muitos deles abraçaram a arte e tornaram-se artistas plásticos profissionais nos dias de hoje.

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A professora Clemência Pecorari Pizzigatti, cujos sobrenomes deixam perceber a ascendência italiana, nasceu em Piracicaba em 1935 e ali faleceu em maio deste ano de 2009, deixando uma legião de alunos e fãs incondicionais de sua obra, de sua generosidade e de seu espírito inventivo.

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O painel foi realizado nas encostas que circundam o chamado Parque do Mirante, no centro de Piracicaba. Os estudantes conseguiram coletar 52 tipos diferentes de pedra para a realização do projeto. Com elas foram retratadas cenas da cidade antiga, com a figuração dos personagens que a fizeram como o capitão Antonio Corrêa Barbosa, a representação da Casa do Povoador e até mesmo um pequeno destacamento enviado à Guerra do Paraguai. No centro do mural encontra-se a figura que retrata a “Noiva da colina”, e em outra margem figura a cidade moderna, com representações simbólicas da indústria, do comércio e da lavoura. Também está presente a cana-de-açúcar, cujo cultivo é antigo em toda a região.

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Clemência Pizzigatti realizou muitas outras obras em mosaico em Piracicaba. Como toda boa artista, não limitou sua atividade apenas a esta linguagem plástica, mas também destacou-se na arte dos vitrais, da gravura e da pintura. Além de artista plástica era formada em Antropologia. Foi professora durante 40 anos, não apenas em Piracicaba, mas também em Americana, Santa Bárbara d’Oeste,  São Carlos e na cidade de São Paulo. Seu falecimento foi um verdadeiro trauma em Piracicaba, onde residia nas últimas décadas.Era não apenas respeitada, mas muito amada e querida pelos alunos que passaram por suas aulas e pelos piracicabanos de uma forma geral que admiravam suas iniciativas desde as mais simples até as mais extravagantes, como o mural construído durante uma greve contra Paulo Maluf.

 

H.Gougon, agosto 2009

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Tecle aqui sobre o texto ou sobre a figura e desfrute de um pequeno vídeo, gravado em 2008 com a Professora Clemência Pizzigattti, poucos meses antes de sua morte. Em entrevista a seus colegas, ela fala de sua vida em Piracicaba e de suas obras em mosaico nas cidade de S. Paulo, São Carlos e Piracicaba. Também aborda suas criações em vitral.

 

Transcrevo abaixo texto do blog Memorial Piracicabano por ocasião do falecimento de Clemência Pizzigatti (Gougon, agosto de 2009)

 

Sábado, 29 de Novembro de 2008

CLEMÊNCIA PECORARI PIZZIGATTI (*1935 +2009)

por Olivio N. Alleoni

Trechos da entrevista de Clemência Pizzigatti

Clemência Pecorari Pizzigatti é artista plástica e antropóloga piracicabana.
Faço mosaicos há 50 anos. Executei uma série de trabalhos em São Paulo, na igreja em Penápolis (vitrais), em São Carlos. Piracicaba parece que me descobriu meio tarde, porque agora é que estou fazendo uma série de mosaicos na cidade.
O primeiro executado foi no Mirante de Piracicaba em 1968. Depois executei uma série de trabalhos particulares em residências. O mosaico da Cooperativa dos Fornecedores de Cana de Piracicaba foi executado em 2004, possuindo 50 metros quadrados. Foi feito outro serviço em um cemitério. Atualmente estou executando mais um trabalho em Piracicaba para a COPLACANA e atividades na cidade de São Pedro. Nesta última, foram executados 4 painéis e o coreto na praça. Agora estou fazendo o 5º painel. Estou lá há quatro meses. O sexto foi feito na feira do produtor.
Durante todo este tempo, tenho feito exposições individuais e coletivas. A última foi o ano passado (2007) na semana da ecologia, quando foram expostas as mandalas de São Francisco, e Terra Água Ar e Fogo.
Na igreja de Penápolis foram executados diversos vitrais, sendo que a busca da inspiração foi na Oração de São Francisco. Foi feita a Benção de São Francisco no Batistério. O Cântico do Sol de São Francisco é o tema dos vitrais. (Irmão água, Irmã Luz, Irmã Terra, Irmã Morte, Irmão Vento). Sou franciscana de corpo e alma. Acho São Francisco tão doce.
Também voltei-me para a pintura No início foi aluna do Benedetti (Hugo José Benedetti: 1913-1977). Também fui aluna do Archimedes (Archimedes Dutra 1908-1983), do Dutra (João Dutra: (1893-1983), pintores clássicos de Piracicaba. Depois fui estudar artes na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), em São Paulo. Nesta fase, encantei-me por antropologia, tendo feito o Curso de Antropologia na USP. Na década de 60 fiz muitos modelos de nus. Foi uma época muito rica para mim.
Depois concursei-me. Fui professora do Estado. Ganhei uma bolsa de estudos para ir para a Alemanha, mas acabei não indo porque foi na época da recessão, do golpe de estado e havia muitas dificuldades para sair do país.
Nesta fase fiz pós-graduação na UNIMEP em filosofia. Sou atualmente aposentada da Federal de São Carlos e do Estado. Em São Carlos era professora de arte de terapia ocupacional. Minha cadeira era Recursos Terapêuticos. Entrei em São Carlos dando uma disciplina e deixei quatro disciplinas com as minhas assistentes. Foi um período muito rico.

Fui muito privilegiada na vida. Conheço quase todo o Brasil. Só não conheço o pantanal. Fiz seis viagens ao exterior, todas muito bem escolhidas. Já pisei em quase todos os continentes, menos a Austrália.
Mas imagine, só em Piracicaba devo ter tido mais de cinco mil alunos. Nunca me casei. Mas tenho meus sobrinhos que cuidam de mim hoje, com muito carinho.
Gosto de coisas boas, coisas nobres. E dentro deste espírito, guardo com muito carinho os objetos de família. E entre estes, estão uma série de objetos feitos de cobre. O meu fraco mesmo são os copos de cristal. O copo, objeto translúcido, tendo como base a areia é muito nobre. A cerâmica é opaca e pesada, justamente ao contrário do cristal. Ele é ao mesmo tempo forte e frágil. E a função dele é tão nobre quando se usa, que chega a ter o cheiro de calor humano.
Aquela peça pequena que você vê é Nossa Senhora grávida. Quando fui até Jerusalém, visitei uma bica, a Bica de Maria. Conta a lenda que ela estava subindo um morro para visitar Santa Isabel, e estando cansada, sentou em uma pedra. Milagrosamente, brotou água da pedra, e até hoje esta bica existe. Foi daí que surgiu a inspiração para esta imagem. Tenho também uma série de outras imagens.
Esta “Mimi” foi meu tio que me deu. Foi inspirada em antigas imagens. Parece que ela da “Cartilha Sodré”.
Os tachos de cobre são minha adoração. Antigamente costumava fazer doces nele. Cada um deles era utilizado para algo específico. Hoje, na sua grande maioria, estão aposentados.
Trabalhei muito também com arte infantil. Isto fez com que transpusesse isto para minha arte também. Meus professores sempre me chamaram de expressionista.