MOSAICOS DO BRASIL, apresentados por Gougon, jornalista, mosaicólogo

A arte sacra de Angelo Tanzini

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Ianelli e a opção madura pelo mosaico
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Graciano, o modernista de Sampa
Um projeto de mosaico poético para Brasília

Mosaico, claro, é uma arte essencialmente romana. Os italianos continuam a difundí-la pelo mundo afora. Vez por outra a gente encontra sinais da vasta obra musiva dos artistas da península no Brasil. Vamos resgatá-la? 

Como identificar o dedo italiano nas obras musivas dos anos 50 e 60 no Brasil

Obra de Angelo Tanzini em Igreja de Juiz de Fora
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José Carlos Menezes é seguramente um dos mais interessantes mosaicistas da Capital da República onde, durante muitos anos, exerceu a advocacia, trocando-a já na maturidade pela arte de produzir mosaicos. Tanto se aprofundou no assunto que realizou diversos cursos na Itália, em Ravena e Spilimbergo, tornando-se uma referência no assunto em Brasília. Construiu num bairro aprazível nas proximidades do Palácio Alvorada uma casa inteiramente dedicada ao mosaico, seu estudo, pesquisa, realização e ensino.
Dele recebi nesta semana as fotos que reproduzo aqui de uma obra que conheceu há poucos dias (estamos em outubro de 2005) realizada em uma igreja no Bairro Bom Pastor, de Juiz de Fora (Minas Gerais). Enviou-me foto com detalhe da assinatura do artista: A. Tanzini.
Interessei-me pelo trabalho e logo descobri que se tratava de um artista italiano, com passagem pelo Brasil, ou seja um caso semelhante a muitos outros que a gente encontra pelo país afora, agigantando-se em nomes como Franco Giglio (no Paraná), Nardi (em S. Paulo), Alfredo Mucci (em Minas), Bramante Buffoni (em S. Paulo), etc.
Logo foi possível descobrir na Web uma aluna de Tanzini, Sra. Freya Gross, hoje quase nonagenária, que nos anos 50 fez um curso de cerâmica com Tanzini. Por ela, fiquei sabendo o que significava o A. de Tanzini inscrito na obra de Juiz de Fora: Angelo Tanzini. Viveu no Vale do Itajaí, em Santa Catarina e em Minas Gerais, mas já nos anos 60 partiu de volta para a Itália e ao encontro de sua filha, que lá morava.
Freya Gross tornou-se uma ceramista respeitada em Blumenau onde mora. Seu estudo de cerâmica com Angelo Tanzini acabou por mudar sua vida, tendo se devotado à arte com tanto empenho e dedicação que a atividade proporcionou novo sentido e significado à sua existência. O trabalho que exerceu nas últimas décadas valeu uma tese de mestrado da professora de História da Religiões, Ute Petersen, de quem extraio o seguinte trecho escrito por ela:
 
"Na década de 50/60 finalmente Freya se identifica com a ocupação que vai lhe dar sentido à vida de forma quase que definitiva, poderia se dizer. Conhece Ângelo Tanzini, escultor e ceramista italiano, e dele aprende todas as técnicas desde a escolha da argila, a queima , as cores, os cuidados... Embora nem sempre se sinta apoiada pela família, Freya não pára mais. Ela confessou certa vez que: "Quando a gente faz o que gosta, a gente sempre pensa que não deve, não tem o direito".
 
Por último,a professora Ute Petersen concluiu que no caso dela a arte é uma ótima terapia, mas é preciso também ter força de vontade e buscar, mesmo que para isso tenhamos que trabalhar arduamente.
 

Infelizmente, a obra está gradeada
tanzinigradeado.jpg.jpg
A grade preserva a obra, mas rouba muito de nossa percepção

Assinatura revela o autor
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No caso de Mosaico, não é sempre que o autor assina sua obra ...