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Gershon Knispel, um artista da paz no Sumaré
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Artista da paz realizou  peças em mosaico para São Paulo

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            A vida de Gershon Knispel nunca foi fácil. Sua família deixou a Alemanha em 1935, quando tinha apenas três anos de idade, estabelecendo-se na Palestina, mais segura na época que o país de origem, onde os nazistas acabavam de chegar ao poder. De origem judaica, passou a infância e a adolescência no convívio com árabes mulçumanos nos territórios que alguns anos depois seriam delimitados pela ONU para a formação do estado judeu. Em 1957, depois de vencido o período difícil da formação de Israel e de seu reconhecimento internacional, Knispel viajou para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, onde passou a residir e trabalhar como artista plástico até 1964, só vindo a retornar a Israel depois do golpe que instaurou a ditadura militar em nosso país.

 

            Os poucos anos que passou aqui foram suficientes para estabelecer uma ligação sólida com os brasileiros e para consolidar sua carreira artística, através de diversas obras monumentais, algumas delas ainda visíveis na capital paulista.

 

               Em 1958, o poderoso jornalista e criador dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, o convidou para fazer um painel no edifício-sede da TV-Tupi de São Paulo, a primeira emissora de televisão do Brasil, fundada oito anos antes.

 

 

 

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           No prédio, Gershon Knispel usou uma técnica novíssima para a época - o agregado mineral jateado - para realizar uma espécie diferenciada de mosaico, que era a grande linguagem plástica do período, nas paredes externas da emissora.

 

              A obra permanece bem conservada nos altos do prédio, que hoje não servem mais aos Diários Associados. O edifício abriga agora a M-TV, um canal aberto de variedades, com grande audiência entre os mais jovens.

 

                Já o artista continua sua trajetória vitoriosa, percorrendo o mundo com sua arte e com uma mensagem de paz nas terras da Palestina. Ele defende o convívio harmonioso entre árabes e judeus apesar do ônus pesado que suas atitudes acarretam em Israel, aonde tem residência fixa. Há alguns poucos anos, Gershon trouxe ao Brasil uma mostra de desenhos realizados por crianças de Israel e da Palestina em torno da paz. 

 

             Sua militância política em favor da paz tem forte repercussão internacional, através de artigos que escreve em jornais e revistas do mundo inteiro. No Brasil, seus comentários sobre a questão palestina podem ser lidos na revista Caros Amigos, editada em São Paulo, que fez dele seu colaborador permanente.

 

               Sua arte também tem forte acento político, sobretudo as que realiza para Haifa, a terra de criação, onde reside ainda hoje. Entre alguns monumentos realizados para a cidade, encontram-se A Queda do Terceiro Reich e o Memorial do Soldado Desconhecido. Também é autor do Memorial de Hana Senesh (paraquedista enforcada, que lutou ao lado dos combatentes em Jerusalém durante a ocupação nazista, em1944) na fachada do Centro Cultural no Kibutz Yad-Hana.

 

                    Em São Paulo, além da obra musiva para o edifício-sede da antiga TV-Tupi, Gershon é autor de sugestiva escultura na Praça Cinqüentenário de Israel, no bairro de Higienópolis e de um painel no Centro Médico Girassol, em Vila Madalena, dedicado à memória de Vincent Van Gogh.

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