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A nobreza musiva dos pisos do Jockey Club
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beleza, leveza e suntuosidade no piso do Jockey
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A nobreza clássica dos pisos do Jockey Club Brasileiro

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Muito antes de ganhar as paredes dos edifícios brasileiros, os mosaicos apareceram no Brasil em forma de pisos nos palácios, em algumas igrejas e nos prédios mais sofisticados do final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX.

 Boa parte desses pisos com revestimento musivo ainda pode ser apreciada por qualquer brasileiro. Eles aparecem, por exemplo, na Igreja de São Bento, na sede da Secretaria de Turismo e também no Centro Cultural do Banco do Brasil, todos no centro da cidade de S. Paulo. O centro do Rio de Janeiro não é diferente. Pisos sofisticados podem ser vistos em boa parte do Teatro Municipal, bem como no Palácio Tiradentes e na entrada da Escola Nacional de Belas Artes.

Ainda no Rio, um pouco mais afastado, outro piso tem grande relevância pela beleza musiva e por sua boa conservação: é o que decora o chão das amplas instalações do Jockey Club Brasileiro localizadas no Hipódromo da Gávea, exatamente onde se tocam os bairros do Jardim Botânico, da Gávea e da Lagoa, na Zona Sul.

O turfe surgiu no Brasil em 1851, quando se realizaram as primeiras corridas de cavalo no chamado Prado Fluminense, próximo à estação S. Francisco Xavier, na Tijuca. O Jockey (escrito assim mesmo, com k e com y, mantidas ainda hoje pelos mais conservadores) foi fundado no Rio de Janeiro em 1868 por pessoas aficcionadas pelas corridas de cavalo. Quase 20 anos depois surgiu o Derby Clube, sob presidência do engenheiro Paulo de Frontin, que o instalou na área onde hoje se encontra o estádio do Maracanã.  Da junção dos dois clubes, nasceria o Jockey Club Brasileiro, que passou a funcionar em 1932 no prado da Gávea.

As elegantes instalações do Jockey foram concebidas nas pranchetas do escritório Heitor de Mello. Trata-se de um dos principais arquitetos do início do século XX. Era filho do primeiro ministro da Marinha do período republicano, o Almirante Custódio de Mello, um homem de brios cuja história de vida se confunde com atos de bravura e determinação cívica.

Ocorre que Heitor de Mello morreu precocemente em 1920, no apogeu da atividade profissional, quando seu escritório já havia assinado o contrato para a construção da Câmara Federal, hoje Assembléia Legislativa, realizado em 1921, e o Prado do Jockey Club do Brasil, em 1924. Após o falecimento, o escritório foi conduzido por seus auxiliares, Archimedes Memória e o arquiteto francês Francisque Couchet, que iria dar um toque clássico, no estilo Luís XV, às instalações do Jockey.

O que se destaca no clube e avança por toda a área interna são os pisos em mosaicos padronizados, típicos do período. Ocorre que  não se trata de pavimentos importados. Ao contrário, foram realizados aqui mesmo no  Brasil  pelos mosaicistas César Formenti e por seu filho Gastão Formenti, segundo levantamento efetuado pelo historiador Milton Teixeira, do Rio de Janeiro .  Teixeira deu uma aula sobre a obra dos Formenti durante a realização da Quinta Mostra Rio Mosaico, que ocorre anualmente no Forte de Copacabana,no Rio de Janeiro.  

 Vale a pena visitar o Jockey para conhecer a riqueza do piso e da nobreza da construção, de características sólidas e grandiosas que já foram palco de muitas festas e de momentos históricos da vida brasileira. Suas instalações estão abertas ao público durante toda a semana. Sempre é possível arriscar algum nas corridas de cavalo, apostando e torcendo pelo vencedor.

É importante destacar que quase todos os presidentes da República compareceram à principal corrida do Jockey, o Sweepstake, criado em 1933 para a disputa do Grande Prêmio Brasil. Nessas ocasiões, que ocorrem sempre no mês de agosto, todo o espaço esportivo se engalana com homens vestindo trajes de passeio completo e mulheres usando chapéu e adereços vistosos – trajes apropriados para a solenidade, testemunhada silenciosamente pelos mosaicos do piso, um dos mais aristocráticos do Rio de Janeiro.

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