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Com Chica Granchi, o Rio de Janeiro continua lindo...
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O painel de Chica Granchi na Avenida Niemeyer

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Imagine-se num automóvel percorrendo a Avenida Niemeyer no Rio de Janeiro. É um dos percursos mais bonitos do Rio de Janeiro. Depois de desfrutar do panorama privilegiado da orla de Ipanema e Leblon, pelas avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira, você entra por uma pista junto à encosta do morro do Vidigal na direção de São Conrado. É tudo prazer puro, mas lá na pista não mais que de repente você já não sabe se olha para o mar ou se presta atenção a um painel vistoso, rico de cor e beleza, cobrindo o granito da encosta.

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Parece um sonho colorido, mas não é. Você acaba de passar por um painel em mosaico de autoria da artista Chica Granchi, que realizou ali uma obra de intervenção urbana das mais atrativas da Cidade Maravilhosa.

 Há quem diga que o que faz o Rio ser a cidade despojada e alegre que todos conhecem é a sua gente. E Chica Granchi faz parte dessa gente, do que ela tem de melhor. Ela integra essa alma coletiva e difusa do Rio, com presença marcada pela ousadia e talento. Convidada pela Prefeitura do Rio a fazer uma obra de intervenção urbana na Avenida Niemeyer em 1995, exibiu sem medo a dimensão de seu preparo profissional., quebrando azulejos de todas as cores para preencher um espaço de 25 metros quadrados com um vigor cromático vibrante que mexe com os sentidos de quem passa por ali.

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Sua obra na encosta da Avenida Niemeyer mudou para sempre o visual da pista, enriquecendo a área e mostrando que é possível fazer intervenções ao agrado da população. Não são poucas as pessoas que procuram fazer uma parada por ali no percurso de ida ou de volta para apreciar a obra mais detidamente ou para bater uma foto do painel.

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Além do berço carioca, Chica Granchi teve o privilégio de iniciar sua trajetória estudando arte com dois ícones das artes visuais brasileiras: Ivan Serpa, professor da escolinha de arte do Museu de Arte Moderna, e a paulista Maria Leontina, uma artista referencial do período modernista.

 

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Boa formação é o que não falta em seu currículo. Graduou-se em Filosofia Pura pela Universidade Católica do Rio e freqüentou tanto os cursos do MAM como os da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Dessas duas escolas vem a inquietação que parece ser uma constante em sua trajetória profissional.

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A obra-mural da Av. Niemeyer não foi filho único em  sua vertente na esfera do mosaico. Em 2001, a Prefeitura do Rio novamente a convocou para decorar os 96 bancos do calçadão da Avenida Atlântica. Chica Granchi fez os dois primeiros modelos, recorrendo novamente a quebras de azulejo para decorá-los com mosaico, mas por algum motivo o projeto não teve prosseguimento. Coisas da política. Os dois bancos continuam  na orla, mais ou menos no espaço quase em frente ao Hotel Copacabana Palace, do outro lado da pista. Ambos estão um pouco castigados por pichações e retirada de pedaços, ao contrário do que ocorre com o painel da encosta do Vidigal, que se mantém íntegro uma década e meia após sua execução.

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Ainda assim, apreciar esses dois bancos é realmente de um prazer estético que enche a alma. Mesmo machucados pelas depedrações, são peças vistosas, ricas, inesperadas, geniais. O fato de estar com pichações ou falta de pedaços não diminui a mágica de imaginar como seria o calçadão se todos os bancos fossem recobertos. O Rio de Janeiro continuaria mais lindo.

 

 

hgougon, agosto de 2009