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Um projeto de mosaico poético para Brasília

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Um projeto de mosaico poético para Brasília

Foto das calçadas de Vila Isabel
chaodeestrelas.jpg
calçadas musicais da Vila

                                                                     PROJETO CALÇADAS POÉTICAS DE BRASÍLIA

 

       

 

          O projeto nasce da compreensão de que Brasília abriga um dos mais ativos núcleos de poetas deste país, com nomes que se destacam todos os dias, fazendo ecoar seus versos muito além do Distrito Federal. É um movimento que cresceu de forma espontânea, confirmando a profecia do urbanista Lúcio Costa, que via a cidade como propícia à ação criadora e ao devaneio.

 

Apesar de seu caráter transformador, o urbanismo e a arquitetura de Brasília não formularam soluções criativas para o calçamento da Capital da República. Nossos pisos nasceram monocromáticos nas pedras portuguesas exclusivamente brancas (calcários) colocadas no primeiro momento na Praça dos Três Poderes.  Desprezou-se a tradição portuguesa, herdada no século passado, que recomenda o uso de desenhos de toda espécie para embelezar as áreas de passeio dos pedestres.

O primeiro calçamento efetivo com pedra portuguesa em Brasília ocorreu em 1972, quando a Novacap pavimentou a Avenida W-3 Sul (que não se chamava “Sul” porque a Norte ainda não se concretizara). O órgão recorreu aos préstimos do arquiteto Fabrício Pedroza, que efetuou uma proposta de desenhos geométricos, cujos contornos ainda são identificados ao longo da via, a despeito dos estragos do tempo e da falta de reparos por parte do GDF e dos comerciantes locais.

 

No momento em que se deseja hoje, declaradamente, restaurar o piso da Avenida W-3 Sul, o mais adequado seria calçá-lo com poesias dos ilustres poetas nascidos ou criados na cidade. Nada seria mais simples (e módico) para projetar uma imagem humanista de Brasília, sobretudo nesses tempos em que a cidade padece do desconforto de ser associada muitas vezes a desmandos que não são de seus cidadãos, mas de políticos vindos de fora.

 

foto das calçadas musicais da Vila Isabel , Rio
feitico.jpg
Projeto da Vila Isabel é de 1965

Afinal, um gesto semelhante foi feito nos anos 60 no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde se plasmou no chão de pedras portuguesas todas as partituras dos grandes nomes do samba produzido no bairro, de Noel a Pixinguinha, de Lamartine a Orestes Barbosa. As partituras continuam ali, muito bem preservadas, juntamente com os nomes dos autores de texto e música, que muito orgulham os cariocas e todos os brasileiros, de forma geral.

 

O mesmo poderia ser feito pelos calceteiros brasilienses, ilustrando o piso com as poesias dos poetas de Brasília. A obra é viável, não haveria nenhum encarecimento pelo desenho das letras. Cada letra pode ser executada em pedra portuguesa numa escala de 40 cm x 40 cm ou de 30 cm x 30 cm, o que viabiliza a transcrição de todo tipo de poemas, desde pequenos hai-kais,  até alguma redondilha menos exagerada nas calçadas. Não será a falta de recursos técnicos que inviabilizará o projeto. Basta vontade política e os recursos naturais para uma restauração dos pisos.

Projeto das Calçadas Musicais da Vila deu certo
ernestonazare.jpg
O projeto da Vila inspirou o projeto das Calçadas Poéticas para Brasilia

Todos sabem que o interesse governamental nem sempre é sensível aos artistas e poetas da cidade, mas as circunstâncias conspiram para que a iniciativa se concretize desde que venha a ser assumida por toda a categoria de poetas brasilienses. São eles que detêm as condições para transformar sonhos em realidade, desejos em atitudes e idéias em compromissos. Ao plantar versos na sarjeta, vão subverter a botânica e fazer vicejar uma nova flor na cidade, de fragrância delicada e sofisticada: a calçada poética.

'EGOLOGIA', POEMA DE NICOLA BEHR
Uma primeira experiência já foi realizada no Jardim Botânico de Brasília mostrando a possibilidade concreta de espalhar poesias pelo chão da Capital da República, com vistas à humanizar a vida da cidade. Tecle aqui e veja um primeiro modelo em 6 metros quadrados, com poesia de Nicolas Behr, poeta vanguardista da cidade.http://www.youtube.com/watch?v=6R1DJ1kUbGY

poesiasingteiranicolas.jpg

nicolas7.jpg

Um artigo de Cora Rónai sobre as pedras portuguesas no Rio de Janeiro
Transcrevo abaixo um texto antológico sobre a questão das pedras portuguesas no Rio de Janeiro redigido pela brilhante jornalista Cora Rónai, nas páginas de O Globo de 14 de maio de 2009. Trata-se de um texto com argumentos definitivos sobre a importância do calçamento em mosaico e da necessidade de sua preservação. De tão importante, tirei uma cópia e a entreguei em mãos ao arquiteto Alfredo Gastal,  correto e competente diretor do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico, em Brasília, DF.
 (HGougon, 18 de maio de 2009)

       On the rocks

CALÇADA EM PEDRA PORTUGUESA NA CINELANDIA
calcadacinelandia3hp.jpg

Volta e meia, as nossas calçadas de pedras portuguesas ficam sob fogo cruzado. 0 argumento é sempre o mesmo: o perigo que a falta de manutenção representa para os transeuntes. Mas, se o problema é a manutenção, por que tirar as pedras? 0 que leva alguém a supor que uma cidade incapaz de manter um calçamento de pedras portuguesas será capaz de manter um calçamento de qualquer outra coisa?

Já vimos este filme durante o Rio-Cidade, quando almas iluminadas tiraram as pedrinhas da Avenida Copacabana, substituindo-as por materiais supostamente mais resistentes. Hoje, passados 15 anos, sofremos com as consequências: não há nada mais feio, pobre ou antigo do que aquele cimento. Será que é isso que queremos para a cidade toda?!

Não sei se vocês se lembram, mas, na época, enquanto desqualificava as pedrinhas na Zona Sul, a prefeitura construía, na Ilha do Governador, mais de 15 quilômetros de calçadas... em pedra portuguesa! Coerência, para que vos quero? O pior é que estou convencida de que as pedras removidas em Copacabana foram revendidas, a peso de ouro, para a obra da Ilha; mas isso são outros 500. Ou 500 mil. O fato é que, ao contrário do que gostam de pregar seus detratores, os mosaicos são uma excelente forma de calçamento, que vêm provando seu valor há milhares de anos. Variações das nossas calçadas usadas na Mesopotâmia, no Egito e na antiguidade greco-romana sobreviveram a toda espécie de desastre e podem ser vistas até hoje. É verdade que, no máximo, enfrentaram terremotos e erupções de vulcões, e não administrações do Cesar Maia; mas, ainda assim...

Duvido que outras formas de calçamento se conservem tão bem através dos séculos. Para ter idéia de como se comportam atualmente, basta ver as ruas lindas e impecáveis de Lisboa, onde é quase impossível, se não impossível de todo, ver pedra fora do lugar.

O diretor-adjunto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, Cristóvão Duarte, também pensa assim. Em artigo publicado no site do GLOBO no último dia 28, ele aponta, entre as vantagens dos mosaicos de pedras portuguesas, a sua imbatível flexibilidade, que permite acompanhar os menores declives do terreno e todas as formas geométricas encontradas pelo caminho; a economia do sistema, que reaproveita sempre o mesmo material, e dispensa o uso de cimento (basta que as pedras sejam assentadas bem próximas umas às outras, e não de qualquer maneira, como se faz aqui); a praticidade do assentamento, que pode ser aberto para obras subterrâneas e fechado em seguida com um mínimo de barulho e transtorno; e a sua capacidade drenante.

Esse é um ponto particularmente interessante. As pedras são (ou deveriam ser) assentadas sobre uma camada de areia que, por sua vez, recobre um solo compactado e devidamente preparado para drenar as águas superficiais. Ou seja: choveu, a calçada se enxuga rápido e sozinha. Para isso, porém, as pedrinhas devem ser instaladas como manda a boa técnica, sem uso de cimento ou aderentes. A única "desvantagem" das pedras portuguesas em relação aos outros tipos de calçamento é o custo. Elas são muito mais baratas e, por conseguinte, muito menos lucrativas para quem faz as obras. Nós sabemos o que significa o custo Brasil, mas, sinceramente, já estava na hora de isso mudar! Muito melhor e mais barato do que desfazer todas as calçadas e enfear o Rio era criar um curso permanente de calceteiros, que formasse mão de obra especializada no assentamento de pedrinhas. Fazendo a coisa certa, em breve poderíamos até exportar know-how, já que, por acaso, temos as calçadas mais famosas do mundo. No mais, é como diz o professor Cristóvão:

"Uma cidade precisa ser construída e reconstruída todos os dias, pedrinha por pedrinha, tal como os mestres calceteiros nos ensinaram ao longo da História das cidades. A força de cada pedrinha decorre da força do sistema como um todo, gerado pelo fato de todas as pedrinhas compartilharem, solidárias, o mesmo projeto de cidade."

calcadacinelandia2hp.jpg