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Terras da princesa brasileira abrigam arte musiva do alemão Fritz Alt

Tudo começa com a história de amor que se estabelece entre a princesa Dona Francisca Carolina de Bragança, irmã de Dom Pedro II, e o herdeiro do trono francês, o jovem Ferdinand Felipe d’Orléans, príncipe de Joinville, nos anos de 1842 e 1843. Decididos a contrair matrimônio, o imperador fez votar lei destinando à princesa sua irmã, como dote, uma porção de terras incultas em Santa Catarina. Afinal, o casamento era para o Brasil uma questão de Estado porque unia a Casa Imperial à dinastia dos Orléans, que, desde 1830, reservara ao pai do noivo, Luís Felipe, o trono francês, que ocupava com sabedoria e prudência, equilibrando os interesses da monarquia restaurada com as liberdades públicas exigidas pela Revolução de 1792.

 

Os príncipes casaram-se no Brasil e viajaram para a França, onde foram muito felizes por exatos cinco anos, isto é, até começarem as agitações que sacudiram a Europa em 1848, acabando por levar o monarca francês à deposição e à fuga para a Inglaterra, junto com toda a família. A turbulência da época conduziu Marx a reflexões que originaram o lançamento, naquele ano, do célebre Manifesto Comunista.

Para sobreviver em Londres, Dona Francisca Carolina e o príncipe de Joinville tiveram que negociar com uma empresa de Hamburgo a venda do dote da princesa, destinando-o ao estabelecimento de uma colônia agrícola.  Em 1851, chegaram os primeiros colonos – alemães e austríacos, em sua maioria –, que formaram primeiramente a Colônia Dona Francisca, em homenagem à princesa, pouco depois transformada em Colônia Joinville, em homenagem ao príncipe, sendo logo elevada à condição de cidade. É hoje um dos centros econômicos e industriais mais prósperos do sul do país.

 

A imigração alemã foi o motor desse desenvolvimento. Em 1922, estabeleceu-se na cidade o alemão Fritz Alt, jovem de 20 anos de idade, em busca de emprego, que não encontrava em seu país, devastado pela Primeira Grande Guerra. Seu pendor artístico logo o levou à realização de obras cemiteriais, esculturas e pinturas que o tornaram o principal artista da cidade, tratamento que Joinvile reconhece nele ainda hoje, algumas décadas após sua morte.

 

A residência em que morou por muitos anos foi adquirida pela prefeitura e transformada em Museu Casa de Fritz Alt, atualmente grande centro de visitação. Abriga mais de 30 esculturas que realizou desde sua chegada a Joinville, além de ferramentas, fotos e objetos de seu uso pessoal.

 

Fritz Alt é autor, em Joinville, do Monumento ao Imigrante, em bronze, na praça da Bandeira, e, em Florianópolis, da estátua que homenageia Lauro Muller, ex-chanceler brasileiro e nome histórico de Santa Catarina. Uma de suas primeiras obras em Joinville foi um busto em homenagem à princesa Dona Francisca.

Busto da princesa é obra de Fritz Alt
princesajoinville.jpg

O que mais surpreende, no entanto, no percurso artístico de Fritz Alt são as suas obras em mosaico – área ocupada no Brasil quase que exclusivamente por artistas de origem italiana, reconhecidos em nomes como Mucci, Cerri, Carelli, Faro, Giglio, Lenzi, Lazarotto, Abramo e muitos outros. O alemão Fritz Alt realizou pelo menos dois grandes painéis em pastilhas vítreas, o primeiro, de 1949, para o  antigo prédio do Sesi – Serviço Social da Indústria (5 metros por 4,5) e o segundo na parede frontal da Biblioteca Pública Municipal Rolf Colin, realizado em 1955, em proporções ainda maiores: 10 metros por 6,50. Curiosamente, as duas obras têm, marcadamente, características típicas da estética do período de realismo socialista da antiga União Soviética (e que teve na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini uma vertente fascista que chegou a ganhar algum espaço no Brasil ao tempo da ditadura Vargas), retratando trabalhadores musculosos forjando um pretenso mundo “eugenicamente” novo.

 

problemas permanecem após restauro...
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Painel de Fritz Alt antes da restauração
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Em 2003, as duas obras ainda não estavam tombadas pelos serviços de proteção do patrimônio estadual e municipal, mas já apresentavam sinais de perda gradual de pastilhas, exigindo recuperação. Coube à iniciativa privada uma tentativa meritória de restauração, mas deixando a desejar do ponto de vista técnico. A Secretaria Municipal de Educação de Joinville estabeleceu parceira com a Escola Técnica Tupy e essa destacou oito de seus alunos para recuperação do painel da biblioteca. Na ocasião, a presidente da Associação Catarinense de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais, Cláudia Philippi Scharf, alertou: “A princípio esse tipo de trabalho sempre precisa ter acompanhamento de um especialista com formação científica. Não basta ser artista plástico ou ter conhecimento prático para restaurar uma obra de arte, seja ela pintura, escultura ou mosaico”.

Obra foi "restaurada" por estudantes...
fritzalt7.jpg

O episódio, assim como alguns outros apresentados neste site, revela certo descaso governamental com o patrimônio artístico nacional, especialmente com a necessidade de restauração do patrimônio em mosaico, um dos mais desfavorecidos, até por falta de conhecimento sobre sua dimensão e importância. A iniciativa da restauração dos painéis de Fritz Alt teria necessariamente de ter amparo dos especialistas da área pública pela responsabilidade que a lei determina.

Já o segundo painel realizado por Fritz Alt, que apresenta uma visão idílica de rapazes musculosos jogando basquete, também passou por reparos recentemente e tem uma história que se arrasta há três anos, envolvido em consertos e restauros bem mais demorados e penosos do que se estimava.  Vamos narrá-los através de quem acompanhou de perto esta novela, primeiramente o jornalista Rodrigo Schwartz. Em matéria publicada em 15 de outubro de 2006, ele escreveu para o jornal A Notícia, de Joinville, que a obra estava entrando num processo de restauração previsto para durar seis meses. Eis o seu testemunho, datado de 15 de outubro de 2006:

 

foto11.6.fritzaltnosesi.jpg

Restauração de mosaico recupera obra monumental de Fritz Alt, baluarte das artes plásticas de Joinville

 

Rodrigo Schwarz

Joinville

Nas ruínas do antigo prédio do Serviço Social da Indústria (Sesi), em Joinville, estão sendo colhidas as peças de um quebra-cabeça de R$ 600 mil. Esse é o valor do mosaico de Fritz Alt, instalado desde 1949 no alto da edificação, que será demolida para dar lugar à nova sede da entidade. Uma a uma, são removidas da parede as 58.015 pastilhas de vidro que compõem a obra de um dos pioneiros das artes plásticas joinvilenses. Depois de passarem por um processo de restauração em Florianópolis, as peças retornarão à cidade, onde mais uma vez irão compor a imagem projetada por Fritz Alt, intitulada "Painel Sesi".

Após a restauração, o mosaico ornamentará a nova sede em Joinville. É a instituição que está financiando a obra, sem o auxílio de verbas governamentais. Rosane Kunem, gerente local do Sesi, não informa o custo total da empreitada, já que algumas fases do projeto ainda não foram orçadas, mas adianta que atingirá a casa dos seis dígitos. "Desde o começo, tivemos o monitoramento da Fundação Cultural de Joinville, que aprovou os profissionais responsáveis pela restauração", diz Rosane.

O processo de remoção das pastilhas começou em junho deste ano. Sob a supervisão de Susana Cardoso Fernandez e Kátia Ataides, oito estudantes da Universidade da Região de Joinville (Univille), oriundos dos cursos de história e design, trabalham pela manhã e à tarde, quatro em cada turno. Além das pequenas espátulas, uma das principais ferramentas é a paciência. Atualmente, são retiradas da parede apenas 100 pastilhas por dia. "Começamos pela parte de cima, onde o reboco estava podre, devido a uma infiltração. Ali, conseguíamos tirar até 400 peças, diariamente. Agora, está bem mais difícil", explica Kátia.

O término do desmonte do mosaico é estimado em mais sete meses. No começo, o esforço repetitivo e meticuloso exigido pela tarefa mexeu com a cabeça dos estagiários. "Nos primeiros dias, eu tinha pesadelos com pastilhas", sorri a estudante de design Christine Meder. Já Camila Diane Silva, universitária do curso de história, sente comichões ao passar na frente de qualquer mosaico. "Dá logo vontade de sair desmontando", assinala.

Muitas das pastilhas da obra descolaram-se naturalmente nos últimos anos. No novo prédio, elas serão substituídas por peças da mesma cor e material que Fritz Alt empregou nos anos 40. Contudo, Susana, especialista em conservação e restauração de bens culturais, espera reaver alguns dos itens originais. "Como sabemos que muitas das pastilhas que caíram foram juntadas por pedestres, solicitamos que as pessoas que tenham algumas dessas peças possam contribuir com a restauração do painel, entregando-as no canteiro de obras".

O próprio processo de remoção acaba danificando algumas pastilhas, uma média de 15 a cada 100 extraídas da parede. Elas serão reparadas ou substituídas, dependendo do grau da avaria. Em Florianópolis, todos os componentes do mosaico passarão por uma limpeza química, para remover a sujeira proveniente de mais de meio século de exposição aos gases emitidos pelos carros que trafegam pela rua Ministro Calógeras. "A obra de Fritz Alt faz parte da história da arte catarinense e nacional, por isso, temos que preservá-la", aponta Susana.

 
 

Como se observa, a estimativa feita  em 2006, quando a obra começava a ser restaurada é de que os trabalhos terminassem em sete meses. Já se passaram três anos e desta vez é a jornalsta  Silvana Losekan, quem faz um novo balanço da situação para o jornal A Notícia. Diz o seguinte:

Processo de restauro do painel de Fritz Alt está exposto no Sesi de Joinville

28 de maio de 2009 por Silvana Losekann

Três anos e meio de trabalho minucioso. Este foi o tempo gasto para retirar as 58 mil pastilhas que compunham o mosaico criado em 1959 pelo artista alemão Fritz Alt e restaurá-las, trabalho coordenado por Susana Cardoso com a assistência de Kátia Ataídes. Agora, todo o processo de restauração da obra poderá ser conferido no hall de entrada da nova sede do Sesi, localizada na rua Ministro Calógeras, 157, no Centro de Joinville. São seis painéis que aproximam a comunidade, por meio de fotos e textos, do passo a passo realizado para que a obra continue sendo admirada. A exposição ficará permanentemente no prédio.

Depois de pronto, o painel, que antes ocupava a fachada da antiga sede do Sesi em Joinville, ficará exposto logo na entrada do novo prédio da entidade, inaugurado nesta segunda-feira. A previsão é de que daqui a 120 dias, a obra seja transferida para o local.

Susana, especialista em conservação e restauração de bens culturais móveis, afirma que a restauração do mosaico foi um trabalho complexo e que exigiu o esforço de uma grande equipe. Em janeiro de 2006, as pastilhas de vidro de quatro centímetros quadrados começaram a ser retiradas um por uma do antigo painel para serem limpas e catalogadas.

Seis profissionais e 28 estagiários trabalharam no processo de tratamento das pequenas peças, que foram cuidadosamente separadas por uma relação numérica. O novo suporte escolhido para abrigar a obra consiste em uma placa de aerolam, um material leve e extremamente resistente que é utilizado também em componentes da aviação.

O mosaico de Fritz Alt foi encomendado especialmente para o Sesi, que iniciou os seus trabalhos na cidade em dezembro de 1960, e retrata as atividades desenvolvidas pela entidade. O plano de fundo do desenho aproxima a obra do cenário joinvilense, ilustrando uma cidade industrial.

 

Bem, aqui se encerra a história de dois painéis em mosaico nas terras de Joinville, ambos concebidos e executados pelo artista Fritz Alt, um nome que merece ser lembrado pelo muito que realizou em obras visuais que engrandeceram a cidade. A aventura do processo de restauro também merece ser lembrada pelas dificuldades enfrentadas e pela tenacidade da equipe de restauro. Apesar das dificuldades atravessadas, chegou-se a um final feliz.

Já a história do príncipe e da princesa não se encerra aqui. Durante muitos anos, os imigrantes alemães esperaram pela visita do casal às terras de Joinville, tendo inclusive construído um palacete para abrigá-los. Mas a espera foi em vão.Eles nunca mais voltaram ao Brasil. O palacete ainda existe, foi transformado em Museu Nacional da Imigração. Tanto ele quanto o Museu Casa Fritz Alt merecem ser conhecidos e visitados pelos turistas que viajam a Joinville. É uma cidade agradável e acolhedora, moderna e conservadora, rica pelo seu desenvolvimento industrial, mas também expressiva pelos muitos artistas que a tornaram mais encantadora. Joinville conserva também um charme discreto por sua história de nobreza, que nunca esqueceu e que guarda certa magia, quem sabe um sentimento sebastianista  entranhado na sensibilidade  de sua gente, nunca assumido ou confessado, mas percebido nessa persistência em refazer o caminho, em retomar o esquecido, em consertar o estragado, enfim na restauração do principal e verdadeiro mosaico, o  mosaico da vida.

 

Hgougon, nov. 2009