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Leonilson, a contemporaneidade do mosaico vertical em pedras portuguesas
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A contemporaneidade do mosaico e a contemporaneidade de Leonilson

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FOTO CEDIDA PELO BRILHANTE JORNALISTA CEARENSE RANGEL CAVALCANTE

Leonilson, um jovem que compreendeu a exata cadência do seu tempo e do que estaria por vir
Tendo nascido em Fortaleza em 1957, se ainda estivesse vivo, Leonilson continuaria a ser hoje no Brasil um dos principais expoentes da arte contemporânea, desafiando as cabeças de críticos e ruminantes das artes plásticas a desvendar a qualidade de seu trabalho e a interpretar as questões que colocava a todo instante sobre o que é fundamental (e o que não é) nas artes visuais de nosso tempo.
Criança ainda, transferiu-se com sua família para São Paulo, onde ingressaria na Fundação Armando Álvares Penteado para estudar artes plásticas , deixando o curso sem concluí-lo porque sua criatividade já transgredia e superava o ritmo pedagógico, exigindo dele uma postura de ruptura. A partir de 1981, já se encontrava na Europa onde encontrou oxigênio para dar vazão a seu talento e à sua explosão de idéias sutis e contemporâneas. Em 84, em breve estada de retorno à sua terra natal, realizou na praia de Iracema, em Fortaleza, um revestimento musivo da caixa d'água com pedras portuguesas. A atitude aponta para um caminho nas artes plásticas já antecipado por Burle Marx , quando elaborou para o Hospital Sousa Aguiar, no Rio de Janeiro, um painel em pedras portuguesas na entrada do prédio. Em 97, o vanguardista Waltércio Caldas iria retomar o caminho, em novo estilo, chamando atenção para o fato de que o mosaico-calçada é a "pele" cidade do Rio de Janeiro e como tal deveria também verticalizar-se, fazendo do conceito o trampolim para sua obra "Uma escultura para o Rio de Janeiro", na Avenida Beira-Mar, em frente ao Museu de Arte Moderna (MAM). Desgraçadamente, Leonilson veio a falecer em 1993, depois de farto reconhecimento nos salões europeus e norte-americanos. Se continuasse entre nós, com certeza o teríamos entre os mais importantes abridores de caminhos luminosos e consequentes nessa seara tortuosa que tem sido a trajetória da arte contemporânea, muito refinada na condução de artistas de seu porte e muito desvirtuada quando operada por artistas que apenas "pegam carona", mas continuam incapazes de compreender a revolução em curso.

Leonilson, expressão contemporânea de Fortaleza
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Obra em mosaico na Praia de Iracema: atitude inesperada da arte contemporânea

A foto foi reproduzida do excelente livro da pesquisadora Tânia Vasconcelos, que produziu o belíssimo álbum A ARTE PÚBLICA DE FORTALEZA, um trabalho de vulto, mapeando e mostrando tudo de importante em matéria de obras de arte urbana na capital cearense. Trata-se de obra referencial não apenas para a cidade, para o país e para todas as pessoas interessadas em cultura e artes plásticas em todo o mundo civilizado.  O livro é encontrado em boas livrarias, especialmente as especializadas em artes plásticas no centro-sul do país, com textos em português e inglês. A autora é cearense de Fortaleza, graduada em Arquitetura, com mestrado na Usp, lecionando atualmente no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza. Sua obra é recomendável sob muitos aspectos especialmente pela completude da pesquisa, mas eu chamaria atenção para algo mais que interessa a todos os amantes da arte musiva: o livro da professora Tânia apresenta, além de Leonilson, outros artistas renomados do Ceará que realizaram obras em mosaico, como Zenon Barreto e Aldemir Martins.

Obra de Leonilson exige respeito!

 

Apesar de nascido em Fortaleza, a cidade não abriga nenhuma obra de sua autoria a não ser o trabalho que realizou para a Praia de Iracema que é utilizado hoje como banheiro público, para escárnio de seus admiradores e especialmente do Projeto Leonilson, uma iniciativa importantíssima criada há mais de 11 anos com o objetivo de catalogar e divulgar sua obra no Brasil e no exterior. O projeto é presidido por Nicinha Dias, irmã do artista, que também preocupa-se com a situação e vem lutando para que o Ceará possa abrigar, com respeito e dignidade, obras referenciais do artista.

Do gigantesco acervo que Leonilson deixou em tão pouco tempo de vida, o projeto já conseguiu catalogar 2300 obras, entre desenhos, bordados, esculturas, instalações e especialmente as pinturas, que muitos críticos afirmam ter ele emprestado novo significado na medida em que retomou o prazer pelo emprego dos pincéis (atitude hoje quase desprezada pelos autores ditos contemporâneos). Suas obras estão espalhadas por museus do Rio, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Londres Nova York.

O mosaico que decora a caixa d’água na Praia de Iracema é peça única de Leonilson na linguagem das tesselas, daí porque merece ainda uma consideração especial, especialmente da parte dos cearenses, até mesmo para fazer jus ao elenco de grandes nomes  ilustres que o Ceará legou à posteridade e que dignificam a representação artística do Estado junto à comunidade nacional e internacional.

 

PS: É preciso deixar claro que algum tempo após nossa reclamação a respeito do "mictório" que funcionava no interior da caixa d'água, coberta por um trabalho de Leonilson, as providências foram tomadas e a obra do artista já não sofre do descaso antes verificado.