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A presença de Facchina no Brasil, o inventor do método indireto

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A perfeição da arte e a perícia da técnica
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Facchina revolucionou a arte musiva no século XIX

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Súmula:  No século XIX o italiano Gian Domenico Facchina vai revolucionar a arte do mosaico,  realizando em prazo curtíssimo as principais obras musivas da Opera de Paris. Seu ateliê enviará ao Brasil, em 1908, dez painéis em mosaicos riquíssimos que estão bem preservados nos labirintos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, mas inacessíveis ao grande público.

FACCHINA E O MÉTODO INDIRETO

 Qualquer iniciante em arte musiva aprende que para a realização de um mosaico o caminho mais simples é o método da colocação direta das tesselas (cada unidade da obra) sobre a superfície onde será instalado.  Mas também é possível realizar mosaico com procedimento inverso, através da colocação das tesselas ao contrário, sobre recortes de papel, numerados, com cola. O conjunto é montado em ateliê e levado depois ao local de aplicação, reagrupado com ajuda da identificação numérica, e aplicado sobre argamassa fresca em qualquer superfície,  pavimental, parietal ou curva.

Na longa trajetória da arte, cuja origem remonta à Suméria (atual Iraque) cerca de 3 mil anos antes de Cristo, o aparecimento do método indireto é relativamente recente. Sua ocorrência vai se dar na segunda metade do século XIX, sendo descoberto pelo arquiteto francês Charles Garnier, que recorreu aos principais ateliês italianos, sobretudo os de Veneza e de Roma, em busca de um artesão mosaicista capaz de realizar em prazo curto uma cobertura musiva de partes diversas da Opera de Paris, durante o período de sua construção.

Já estava quase desistindo, quando foi procurado pelo mosaicista da região do Frioul (nordeste da Itália), Gian Domenico Facchina, que acabara de patentear um método de realização indireto que, segundo pregava, era capaz de fazer qualquer obra musiva em tempo recorde, pelo menos dez vezes mais rápido que qualquer outro artesão de seu tempo. Garnier duvidou num primeiro momento, mas o contratou para a realização de pequenas peças, assim como quem faz um teste. Logo que comprovou a eficácia da técnica, confiou a Facchina a responsabilidade de revestir 300 metros quadrados de superfícies diversas na Opera de Paris, o que o italiano realizou em apenas três meses!

E os custos caíram consideravelmente. Aquilo que os romanos cobravam 3 mil francos o metro quadrado e os venezianos 1.500 FF, Gian Domenico Facchina fez por 185 francos (dados de Giovanna Galli, em Lart de la Mosaïque).

O sucesso foi tanto que Facchina foi contratado daí em diante para fazer uma série de mosaicos monumentais. Entre os numerosos edifícios parisienses que acolhem suas obras, encontram-se o Théatre du Châtelet, o Hotel de Ville, o Louvre, o museu Carnavalet,o Petit Palais, o Trocadero, o Bom Marché, o Printemps, o hotel Astoria, a École des beaus-arts e a Igreja de Sacre-coeur, em Montmartre. Além da França, seu ateliê será procurado por empreendimentos da Inglaterra, da Argélia, dos Países Baixos, do Japão, da Romênia, da Turquia, dos Estados Unidos, da Espanha,  da Argentina e ... do Brasil.

Morreu em1903, rico e famoso, e seu atelier teve continuidade por muitos anos mesmo após sua morte, conduzido por uma legião de artesãos que fez vir de sua cidade, Sequals, no Frioul, e de Spilimbergo, onde ainda hoje funciona uma escola de mosaicistas que operam com sua técnica.

O Ateliê Facchina é que vai atender a demanda que lhe é feita no alvorecer do século XX pela prefeitura do Rio de Janeiro, então ocupada por Pereira Passos, responsável pela abertura da Avenida Rio Branco e por inúmeras obras naquela via, inclusive o Teatro Municipal, para cuja construção foi realizada uma licitação pública com concorrentes não-identificados. O vencedor foi... o filho de Pereira Passos! Um escândalo daqueles, amenizado pela inclusão do segundo colocado como parceiro para execução da obra.

O que importa, na nossa conversa, é que o Ateliê Facchina forneceu ao Municipal cerca de dez obras notáveis que se encontram hoje muitíssimo bem preservadas, a maioria no hall de acesso ao salão Assírio. Ali, há alguns anos, funcionava um restaurante aberto ao público. Com o uso intensivo, alguns pedaços do piso musivo (veneziano) foi prejudicado e a direção do Teatro entendeu de fechar as portas do local, sem que nunca tenha providenciado o conserto do pavimento. Tive oportunidade de visitar a área em maio passado e verificar que a situação não é grave. É possível, e de certa forma até pouco custoso, reparar as partes do piso danificadas. Já a questão da reabertura do restaurante é assunto que merecerá um parecer mais profundo de parte de técnicos habilitados em questões de patrimônio histórico.

Agora, é uma lástima que não estejam abertas ao conhecimento público as obras do Ateliê Facchina. Acredito mesmo que a  direção do Teatro Municipal não tem muita noção de seu próprio patrimônio, até porque o site existente na Web, organizado pelo teatro, arrola (e exalta) todo o acervo, mas se cala (por descuido ou desconhecimento)  sobre as obras do mestre italiano.

Preencho minimamente esta lacuna, fornecendo fragmentos de fotos que bati no local, para que se conheça a perícia do trabalho, sua qualidade e seu requinte (apesar de minha total falta de habilidade para fotografia) . Todas as peças estão assinadas com tesselas em ouro e a data: Facchina 1908. Ou seja, cinco anos após sua  morte, o que de forma alguma conspurca a qualidade das peças.

Depois de Facchina, o acesso à realização musiva ficou mais fácil e barato. Aquilo que se adquiria mediante contrato específico com o artista, tornou-se disponível mediante catálogo e tarifa. Abriu-se uma via larga que mudou significativamente a natureza do mosaico por meio de uma técnica praticamente industrial que transformou sua produção em mercadoria acessível à classe burguesa nascente.

 

 

Para o Brasil veio um painel com O GUARANI
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A obra de Carlos Gomes teve versão musiva do ateliê Facchina

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