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A luz, o sol, o ar livre: a arte de Leilah Costa
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Uma viagem com Leilah Costa pelos Metrôs de S. Paulo e Rio de Janeiro

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Leilah Costa é hoje uma artista consagrada, atuante, competente. Antes de qualquer consideração, é preciso dizer que é formada em engenharia civil, o que diz muito, especialmente se atentarmos para o que revela o poeta João Cabral de Melo Neto em poema que dedicou a esses profissionais:

 

“A luz, o sol, o ar livre                                        

envolvem o sonho do engenheiro.

O engenheiro sonha coisas claras:

superfícies, tênis, um copo de água.

O lápis, o esquadro, o papel;

o desenho, o projeto, o número:

o engenheiro pensa o mundo justo,

mundo que nenhum véu encobre”.

 

Pois é nessa acepção qualificada pelo poeta que se enquadra a artista, nascida de dentro da engenheira e formada em 1980 pela Faculdade de Engenharia Veiga de Almeida, do Rio de Janeiro.

 

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Duas décadas se passaram até que o sonho da engenheira desse espaço às artes, que abraçou com o mesmo sentimento poético de João Cabral, “o mundo justo, mundo que nenhum véu encobre”.

Leilah Costa passou pelos melhores mestres da Panamericana  Escola de Artes e Design de São Paulo, dentre os quais vale destacar o exigente professor Charles Watson, responsável pela formação profissional de várias gerações de artistas visuais do Parque Lage, no Rio.

 

Depois de exibir seus trabalhos em dezenas de mostras individuais e coletivas do circuito paulista, Leilah acabou se tornando uma muralista requisitada que se vale da linguagem das pastilhas para transmitir mensagens sutis em suas obras localizadas em espaços de grande visibilidade em estações de Metrô do Rio e de São Paulo.

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Os primeiros trabalhos foram contratados em 2005, para a Estação Cidade Jardim (SP) em cujas paredes a artista aplicou uma peça denominada “Conexão 3 e Desconexão 1”. 

 

Três anos depois, Leilah Costa recebeu nova encomenda da Companhia de Trens Metropolitanos de S. Paulo e realizou para a contratante uma obra mais exuberante, desta vez na Estação de Vila Mariana. Deu ao painel o título: Gente, Viagem, Mente.

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O sucesso da peça foi imediato. Em 2009, a artista foi chamada a realizar outro projeto, agora para uma nova saída da estação do Metrô voltada para a Rua Teixeira de Melo e para a Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Desta vez, a obra ganhou nova denominação tripla: “Comunidade, Dignidade, Cidade”.

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Parece oportuno situar, para quem não é do Rio de Janeiro, que a nova Estação do Metrô está construída na saída da favela do complexo Pavão, Pavãozinho, hoje completamente pacificado pelo vitorioso programa de inclusão social em curso na cidade.  No local, foi construído um enorme elevador com vista panorâmica que transporta permanentemente moradores do morro e os turistas até um mirante no alto do complexo. Enfim, a impressão que passa é que começa a ocorrer uma verdadeira transformação nas práticas de convívio social na cidade do Rio. E o local em que sobressai o painel de Leilah Costa, confirma e chancela o fenômeno.

 

Um belo passeio pelo Rio de Janeiro nos dias de hoje deve incluir um trajeto por lugares que até pouco tempo estavam excluídos do roteiro turístico e que hoje têm o que mostrar de encantamento, transformação e arte. Vale a pena pegar uma linha de metrô para a Zona Sul e descer na Estação da Praça General Osório, em Ipanema, pela saída da Rua Teixeira de Melo. Nela, os passageiros são brindados pelo sugestivo painel em mosaico de Leilah Costa.

 

HGougon, agosto de 2010