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A gigantesca obra sacra de Antonio Maria Nardi inclui mosaicos para Serra Negra
| Tímpano da Igreja Matriz de Serra Negra |

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| Obra única no gênero de Antonio Maria Nardi |
| Igreja de Nossa Senhora do Rosário |

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Partiu do Imperador
Dom Pedro II a decisão de abrir o país à imigração italiana, provavelmente por influência de sua mulher, a Imperatriz Teresa
Cristina, que era uma princesa napolitana. A opção também decorreu de profunda reflexão durante o debate público que antecedeu
a assinatura da Lei Áurea por sua filha, a Princesa Isabel, abolindo a escravidão no país. Uma corrente formada por muitos
homens públicos e membros da Corte advogavam na época a vinda de “coolies” chineses, mas acabaram batidos pelo
conjunto de valores que encarnava a opção pela vinda do braço italiano (bem como da cabeça italiana, do coração italiano e
da alma italiana).
Do conjunto
de imigrantes aqui desembarcados, ainda está para ser contada a relação enorme de artistas, conhecidos e anônimos, que contribuíram
com a cultura e a arte brasileira, notadamente no campo musivo, no qual puderam oferecer o melhor de seu conhecimento para
realização de obras em piso e parede de prédios, palácios e igrejas, da Igreja de Nazaré no Pará, à Catedral de Porto
Alegre, passando pela Sé, em São Paulo e por centenas de outras em cidades de todos os tamanhos.
Muitos desses
italianos chegaram durante a República Velha, mas há um caso interessante representado pelo artista
Antonio Maria Nardi, que nasceu em 1897 no norte da Itália e veio para o Brasil aos 52 anos de idade,
às vésperas da II Grande Guerra, da qual pretendia tomar distância. Já fora chamado a combater por seu país durante a I Guerra,
em 1914 e sabia o que isso significava.
Nascido em Ostellato,
estudou na Accademia di Belle Arti di Bologna e logo começou a acumular prêmios artísticos pelas pinturas clássicas a que
se dedicou. Ilustrou livros e revistas, inclusive para crianças, passando a interessar-se por temas sacros a partir dos anos
20, depois que deu baixa do Exército, finda a guerra. A partir daí, seu prestígio cresceu não apenas no meio artístico, mas
junto ao clero, para o qual produziu uma série de murais e afrescos. Mas em 1949, às vésperas de nova eclosão mundial, deixou
tudo para trás e mudou-se para o Brasil, carregando pincéis, telas e palheta. E sua vocação para as artes sacras.
Permaneceu no
Brasil por 15 anos, mas depois que estourou o movimento militar de 1964, seu coração atormentou-se novamente e Nardi retornou
à sua Itália onde iria falecer em 1973 na cidade de Bolonha depois de uma vida inteira dedicada às artes clássica e sacra.
Os 15 anos de
permanência no Brasil proporcionaram centenas de obras-primas de toda espécie, inclusive mosaicos para a Catedral de Serra
Negra, em São Paulo, mas Antonio Maria Nardi é quase um desconhecido em nosso país. Na Itália continua festejado e relembrado
pelo conjunto de sua obra, mas por aqui, nada. Depois de sua morte, continuaram ocorrendo exposições póstumas, notadamente
em Milão, Bolonha e a última ocorrida em Ferrara, em 1997, por ocasião do centenário de seu nascimento.
Acho que já
está mais do que na hora de algum crítico, curador, colecionador, estudioso ou uma instituição museológica interessar-se pela
obra de Nardi no Brasil e resgatá-la mediante uma exposição ampla, com catálogo ou livro que revele o empenho e a contribuição
que deixou em nossas terras.
| Obra de Antonio Nardi carece de estudo no Brasil |

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| assinatura de Nardi em um dos vitrais da Igreja |

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A relação das
obras produzidas por Nardi no Brasil impressiona pela dimensão e pela difusão
pelas igrejas de muitas cidades da região Centro-sul e até da Capital da República.
A lista inclui
decoração do refeitório do Seminário Salesiano de Brasília;
a construção
de retábulos para a Capela do Colégio Pio XII, em Belo Horizonte e para a Igreja da Faculdade Padre Anchieta em Jundiaí (SP);
a produção de
vitrais para a Igreja do Coração de Jesus de S. Leopoldo, em Porto Alegre (RS), para a Igreja de São Judas Tadeu no Cosme
Velho (RJ), para a Igreja São Sebastião, em Porto Ferreira (SP), para a Igreja de Nossa Senhora Aparecida em Pirajuí (SP),
para o Santuário Nacional das Almas e para a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora em Niterói (RJ), para a Igreja do Santíssimo
Sacramento em Cantagalo (RJ), para a Igreja de Santa Maria Madalena, em Nova Friburgo (RJ), para a Igreja de Nossa Senhora
do Carmo, em Vicente de Carvalho (RJ), para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Riachuelo (RJ) e para a Capela do Colégio
Espírito Santo, em Bagé (RS);
de quadros diversos
para a Igreja de S. Francisco Xavier, na Tijuca (RJ), de quadros da Via Crucis
para a Igreja da Sagrada Família, no Livramento (RJ), e para a Igreja de Santo Antônio, no largo da Carioca (RJ);
da decoração
da Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado (RJ), da Capela do Seminário de Eugenópolis (MG), da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Grajaú (RJ);
das esculturas,
quadros e vitrais para a Capela da Casa de Saúde São José, em Macedo Sobrinho (RJ);
e dos vitrais
e dos mosaicos para a Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Serra Negra, aprazível estância hidromineral de
São Paulo.
| Uma vida inteira dedicada à obra sacra |

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| Mosaicos de Nardi, preservados em Serra Negra |
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