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Em Alagoas, mosaicos de todos os tipos e concepções
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Chapéu de Guerreiro
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Obra de Mônica Almeida

Folclore e mosaico se encontram em Alagoas

É do ítalo-brasileiro Antônio Alfredo Mucci, um dos precursores da obra mural no Brasil, a indicação de que o mosaico nasce de um impulso inato do ser humano, daí porque a compulsão para reunir pedaços similares e agregá-los artisticamente pode ser observada e admirada tanto na arte plumária dos índios brasileiros como na organização artística de conchas embrechadas nas paredes, que ocorrem em algumas malocas de comunidades litorâneas brasileiras.

ESTANDARTE
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OBRA DE JERONIMO MIRANDA

O espaço conceitual do mosaico como obra de arte é inclusivo no sentido de abrigar todas as manifestações pictóricas de agregação e junção de pedaços para formação de uma terceira peça, diferenciada e única, resultante da perícia e descortino criativo de quem a executa.

 

XEREQUÊS DO BAQUE
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FOTO SANDRA QUINTELLA

Dentre todas essas possibilidades compulsivas de realização artísticas, algumas estão associadas a práticas folclóricas que se repetem em momentos distintos do calendário de cada Estado brasileiro. Alagoas é, dentre as demais unidades federativas do Nordeste, uma das que mantém elevado número de festejos e folguedos populares, bem como práticas preservadas e vitalizadas em quase todas suas cidades, inclusive na capital, Maceió.

Não deve, pois, surpreender a ninguém a presença em Alagoas de muitos artistas e artesãos envolvidos com a produção de peças agregando miçangas, paetês e bijuterias diversas. São, em última análise, “mosaicos” vistosos que vão dar vida e brilho aos folguedos populares.

 

Trata-se de um trabalho artístico e artesanal, em tudo semelhante ao mosaico, cuja permanência, no entanto, limita-se ao tempo das folias. Em Alagoas estão catalogados 27 tipos de manifestações populares que vão do Bumba-meu-boi ao Reisado, das Cavalhadas ao Guerreiro e daí por diante.

 

ESTANDARTE
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JERONIMO MIRANDA

Alguns artesãos envolvidos com a realização da indumentária ou mesmo dos adereços dessas manifestações acabaram tendo suas peças valorizadas como expressões artísticas contemporâneas. É o caso de Jerônimo Miranda, que viu seus “estandartes” artísticos serem levados e premiados na Bienal de Arte Naïf de São Paulo. E também o caso de Mônica Almeida, que se especializou na realização de “chapéus” usados nas danças natalinas que recontam a saga dos Três Reis Magos. São conhecidas como danças do “Guerreiro” e tem uma característica profana, de fundo dramático.

Os “chapéus” cobrem a cabeça mas nem de longe se assemelham aos chapéus convencionais que se vêem em outras partes. Na verdade são modelos de pano em forma cúbica, ricos em miçangas, espelhinhos e paetês, dos quais descem fitas de panos coloridos. São obras inspiradas nas igrejas e prédios públicos de Maceió.

CHAPÉU DE GUERREIRO
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OBRA DE MONICA ALMEIDA

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ESTANDARTE
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PEÇA CONFECCIONADA POR JERÔNIMO MIRANDA

             O Guerreiro é um auto natalino, típico de Alagoas, também resultante do sincretismo religioso. É genuinamente alagoano, de caráter dramático, profano e religioso. Surgiu em Alagoas na década de 20 do século passado, apresenta um grupo de cantores e dançadores acompanhados de uma sanfona, tambor e pandeiros, que conta e canta por intermédio do sincretismo religioso a chegada do Messias e a homenagem dos três reis magos.

Diferente da obra de Mônica, a de Jerônimo Miranda tem o estandarte como suporte. Tal como os “chapéus”, também são revestidos por miçangas de todas as cores e tamanhos e também leva fitas, mas não têm preocupação figurativa, apenas emprestam brilho e cor para enriquecer os folguedos do rico repertório folclórico de Alagoas.

 

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Além dessas peças de exibição nos folguedos alagoanos, é preciso salientar a ocorrência da produção de uma peça de percussão denominada Xequerê, que é uma espécie de chocalho feito com miçangas coloridas envolvendo cabaças secas, usado no Maracatu Baque alagoano.

 

Já o mosaico no seu sentido, digamos original, técnico, também tem espaço e mercado em Alagoas, divulgado e enriquecido por obra de um simpático e competente casal de Maceió, os arquitetos e designers de jóia Flávio Daniel e Joana Teixeira. Deles é uma obra de grande elegância na entrada do Edifício Itauba, em Maceió, toda ela em azulejos vermelhos, cinzas e brancos sobre  plataforma vertical.

OBRA NO EDIFÍCIO ITAUBA (MACEIÓ)
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MOSAICO DE FLAVIO DANIEL E JOANA TEIXEIRA

O resultado do trabalho é gratificante e original, indicando ousadia e talento da dupla. Além da obra executada no Edifício Itauba – um verdadeiro cartão de apresentação - os dois artistas têm acrescentado às obras em mosaico outras habilidades plásticas, como desenhos e pinturas para as lojas de Maceió, e também placas, tampos, letreiros e logotipos em mosaicos.

Enfim, Alagoas é um espaço rico para considerações sobre a presença e a versatilidade do mosaico. E também  necessita mais pesquisa sobre a antiguidade do mosaico como obra de revestimento, posto que uma das Igrejas mais antigas de Maceió, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, edificada em 1836, possui no alto do templo um campanário revestido com “quebras de pratos”. Ou seja, trata-se de uma peça rara e pouco estudada, que merece ser melhor conhecida e avaliada tanto do ponto de vista estético como histórico e quem sabe,  precursor...

 

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A propósito, um despacho do Patrimônio Histórico de Alagoas, divulgado na Web, dá conta da existência dessa “singularidade” já devidamente tombada e assim descrita: “Torre de sineiras, terminação bulbar revestido de “ cacos de prato”, tendo no topo um galo de ferro batido.

 

A conferir,

HGougon, set. 2010

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