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Além das gravuras, Lívio Abramo fazia mosaicos

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Mosaicos, paixão dos anos 50
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Lívio Abramo, o gravador, também fez mosaicos

refinamento e bom gosto na obra de Lívio
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Lívio, saudade eterna dos que o conheceram!

Conheci Lívio Abramo em Assunção, no Paraguai, nos primeiros anos da década de 70. Nesta época, eu trabalhava como repórter, primeiro no Estadão e depois no JB, e ambos me deslocaram para coberturas de questões ligadas à construção da Hidrelétrica de Itaipu.  Em uma dessas viagens, conheci um pouco do trabalho que Lívio realizava no Paraguai, especialmente a Escola de Gravuras ligada ao Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil, responsável pela difusão dessa linguagem no país vizinho, para onde ele se transferiu de mala e cuia - e também buril, ponta seca, ácidos e chapas de impressão -  em 1962.

A gravura era sua paixão e aparece como referência quase exclusiva sempre que se aborda o legado artístico que deixou.  Daí porque se torna ainda mais importante conhecer essa faceta escondida durante tanto tempo a produção de mosaicos reabilitada agora por iniciativa da Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, de São Paulo, que decidiu celebrar o transcurso de cem anos de seu nascimento com uma mostra focada naquilo que o artista realizou como arte para arquitetura.

De quase três mil trabalhos que deixou, entre gravuras, pinturas, desenhos, ilustrações para jornal e livros, cenários e figurinos de teatro, uma parcela está representada por trabalhos ligados à arquitetura, como os mosaicos, mas também perspectivas de apresentação de edifícios, plantas, projetos de portas e de janelas, painéis de madeira em relevo e desenhos de cortes arquitetônicos

Em anexo, reproduzi foto e texto da Folha de S. Paulo de 8 de setembro de 2003, dando conta da mostra e apresentando um trabalho em mosaico de Lívio Abramo.  A obra da foto não é o principal mosaico que se pôde apreciar no evento. Há outros trabalhos parietais e especialmente dois mosaicos pavimentais que realizou para a residência antiga de Oscar Americano, batizados de Foz do Rio Amazonas e Circo. O curador da mostra, Guilherme Mazza Dourado, chamou atenção para os desenhos técnicos que Lívio preparou para a obra, assinalando o impressionante rigor de execução desses mosaicos, que hoje representam a mais importante obra do gênero na arquitetura moderna residencial de São Paulo.

Como não podia deixar de ser, os mosaicos de Lívio Abramo são da primeira metade da década de 50, uma espécie de época de ouro da arte musiva brasileira, pela atração que exerceu, neste período, sobre boa parte dos modernistas, a partir de seus expoentes principais, como Portinari - que tem duas obras bem conhecidas e identificadas em São Paulo, ambas em vidrotil e Di Cavalcanti, autor, em 1951, de um monumento ao centenário da cidade de Juiz de Fora, também  executado com a mesma pastilha vítrea, e quase uma dezena em locais públicos e em interiores de residências na cidade de S. Paulo.

Mas de Lìvio Abramo é importante ainda destacar que ainda mais encantador que os mosaicos com pedras portuguesas realizados para a Casa de Maria Luisa e Oscar Americano, são os painéis em pastilhas vítreas que concebeu e executou nos vistosos espaços do Balneário de Águas de Lindóia. Recomendo a todos um passeio até o Balneário não apenas para aproveitar dos banhos, mas também para conhecer de perto a riqueza da obra musiva de Lívio. Esta é uma faceta importantíssima de sua obra artística e pouco conhecida do grande público, o que é uma pena porque se trata de uma obra das mais dignas e referenciais para a história do muralismo brasileiro. 

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