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Roteiro do mosaico no Rio

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Um projeto de mosaico poético para Brasília

Um roteiro turístico para reconhecimento de obras em mosaico no Rio de Janeiro

*dedico esta página ao ilustre historiador Milton Teixeira, que muito tem feito pelo resgate da memória do Rio (h.gougon)

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Tal como São Paulo, o Rio de Janeiro concentra, até em maior escala, obras em mosaico que bem valeriam um percurso turístico para visitação e registro fotográfico desse patrimônio artístico de qualidade excepcional.

 

 

A proposta se justifica pelo número cada vez maior de pessoas interessadas em conhecer as obras em mosaico dos grandes mestres brasileiros e estrangeiros. Vale observar a quantidade de turistas que procura visitar todos os dias a já famosa Escadaria do Selarón, que liga a Lapa ao Convento de Santa Teresa.

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A trajetória de Selarón já está descrita em outra página do site, mas vale a pena recapitular: Jorge Selarón é um artista chileno que há mais de dez anos se estabeleceu numa casa modesta próxima aos primeiros degraus das escadarias do Convento. Em pouco tempo, dedicou-se a cobrir de azulejos quebrados os espelhos dos degraus (espelho é o nome que se dá à parte vertical de cada degrau). Logo, as escadas ganharam o gosto popular e passaram a ser visitadas por turistas do Brasil e do mundo inteiro. O artista costuma solicitar a esses visitantes que, ao retornar a suas casas, enviem azulejos para que ele continue sua obra. Efetivamente, ele se diverte inovando a escadaria quase todos os dias. O trajeto da escadaria começa nos fundos da Sala Cecília Meirelles, na Lapa, e chega até o convento de Santa Teresa no alto do morro.

 

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Por estar no centro do Rio, poderia ser o ponto de partida de um roteiro do mosaico pelo coração da Cidade Maravilhosa. Em seguida, esse percurso poderia incluir obras centenárias em mosaico realizadas no espaço da Cinelândia, a começar pelo Teatro Municipal.

 

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Como se sabe, o Municipal foi inaugurado em 1908 e continua sendo a Sala mais charmosa e requintada do Rio desde sua fundação. Os mosaicos escondidos em seu interior são luxuosíssimos. Nas paredes dos espaços que partem do chamado salão Assírio, há um conjunto de medalhões assinados pelo ateliê de Gean Domenico Facchina, o grande mestre italiano que inventou o mosaico de colocação indireta, com o qual revolucionou a arte na segunda metade do século XIX, ao decorar os salões do Théâtre de l’Opera, em Paris. Uma vez consagrado, passou a produzir obras em mosaico para muitos outras salas e salões no mundo inteiro.

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Depois de conhecer as obras de Facchina e dos pisos do Salão Assírio, também em mosaicos refinados, o turista poderia experimentar uma visita mais demorada pelos grandes medalhões existentes nas fachadas externas da antiga Escola Nacional de Belas Artes, hoje Museu Nacional de Belas Artes. Olhe bem para o alto. Os mosaicos estão num patamar bem elevado. Esses medalhões, todos muito bem conservados, são de um artista francês do final do século XIX e início do século XX, Felix Gaudin.  Recentemente, foi lançado em Paris um livro com toda a coleção de suas obras em mosaicos e em vitrais, no qual também se destacou. É um caso interessante nas artes porque Gaudin era, antes de tudo... um militar de carreira. Chegou a lutar na I Grande Guerra. Na Escola Nacional, também os pisos do pavimento térreo e do segundo andar abrigam mosaicos formosos do mesmo período.

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fragmento do painel de Percy Deane no Rio
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Uma vez feito esse percurso que vai da obra contemporânea de Selarón aos mosaicos “belle époque” de Facchina e Felix Gaudin, vale a pena seguir em direção à Câmara de Vereadores cariocas, a poucos passos, ainda na Cinelândia,  para conhecer na fachada do pavimento térreo um painel modernista, assinado pelo amazonense-carioca Percy Deane, que foi um artista excepcional da primeira metade do século passado, tendo colaborado com Portinari. A obra mostra trabalhadores brasileiros em sua faina diária, urbanos e rurais.

piso do Palácio Tiradentes
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Da Câmara dos Vereadores, seria conveniente dar uma chegada até a Assembléia Legislativa (dos deputados estaduais), o chamado Palácio Tiradentes, ao final da rua São José com a Primeiro de Março. Prepare a máquina fotográfica e o coração: os mosaicos do piso são obras de cair o queixo. O prédio foi construído pelo arquiteto Arquimedes Memória, que o concluiu am  1926. Os pisos são de autoria do mosaicista brasileiro César Formenti, pai de Gastão Formenti. Ambos estão referenciados em outra parte deste site.

 

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Há ainda outras obras modernistas para visitar no centro do Rio, como por exemplo, o painel do artista Paulo Werneck, na Avenida Presidente Vargas, debruçado sobre a Praça da Igreja da Candelária. O prédio onde se encontra a obra é de autoria de Oscar Niemeyer e abrigava o antigo Banco Boavista. Hoje, abriga outra casa bancária.

 

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Também é de Paulo Werneck uma série de obras em mosaico nos altos do prédio do antigo Ministério da Fazenda. Neste caso, no entanto, o guia de turismo teria que agendar previamente uma autorização para a visita, pois as obras do artista estão no pátio do terraço (último andar), sendo necessário solicitar uma autorização prévia para a visita.

 

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Paulo Werneck foi um verdadeiro gigante na história do mosaico no Brasil. O trajeto turístico poderia ser finalizado com uma visita ao conjunto de painéis que se encontram na galeria de acesso ao subsolo do edifício Marquês de Herval, na Avenida Rio Branco, 185.

 

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O percurso do mosaico no centro do Rio não se esgota aí. Vale estendê-lo pela Avenida Rio Branco até pouco depois da esquina da rua Buenos Aires. É que bem ali, numa parede externa do Banco Safra, é possível admirar um painel exótico em mosaico de pedras portuguesas, assinado por Burle Marx. Infelizmente, estabeleceu-se na frente do painel um comerciante de flores que construiu um gradil, impedindo uma visibilidade integral da obra. É uma lástima. De qualquer forma,  peça licença para tomar conhecimento da obra porque se trata de uma peça singular do grande paisagista, que tira proveito da volumetria das pedras portuguesas para estabelecer um painel instigante na parede da Avenida, usando as três cores tradicionais da pedra: o vermelho e o preto em basalto mais o calcário branco.

 

 

hgougon, dezembro 2009